O texto "Por uma arquitetura virtual: uma das críticas das tecnologias digitais", de Ana Paula Baltazar, trabalha em cima da diferenciação dos termos digital e virtual, o que são constantemente tratados como sinônimos e que faz uma tamanha diferença quando se trata de arquitetura. A autora defende a idéia de que a arquitetura deve sempre ser virtual, ou seja, suscetível a mudanças e aberta para desenvolver a criatividade em qualquer projeto. Usa-se o termo "virtual" no sentido muito mais abrangente que o habitual, pois se estabelece como algo contínuo, onde os espectadores são partes vivas necessárias para completar a obra temporariamente.
O Familistério de Godin (século XIX), citado no texto, é tido por Ana Paula como precursor da arquitetura virtual, pois foi criado com liberdade, sem a preocupação de se enquadrar ao convencional da época. Esse tipo de obra teve grandes repercussões, trazendo inúmeros benefícios sociais e essas devem ser as conseqüências desse tipo de arquitetura proposto, pois nesse ramo trabalha-se atendendo a pessoas. “A liberdade, enquanto evento, é garantida pelo virtual e não pela substância”, ou seja, quando se trabalha nesses parâmetros de liberdade, essa é garantida pela abrangência do virtual e não pela estrutura hermética da substância já formada e finalizada.
Nessa era da tecnologia digital, o mundo tenta se enquadrar no que os softwares e hardwares oferecem, e a arquitetura não é uma exceção. O que é problematizado é a limitação que esses programas oferecem aqueles que não conseguem extrapolar os “limites” das ferramentas disponíveis. Coloca-se em questão que a arquitetura “seja repensada à luz das possibilidades do digital”, que o digital venha a ser apenas um facilitador e não uma base para os projetos.
A autora coloca em xeque a definição de virtual, enfatizando a diferença que esse termo possui do digital. Como o Familistério de Godin pode exemplifica, arquitetura virtual não é embasada na digitalização, ou muito menos se limita ao mesmo, mas sim se porta como algo extremamente abrangente e que pode utilizar diferentes ferramentas, preocupando-se sempre com o evento em
não com a substância.
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